(Escrevi este exo á alguns anos para ajudar um amigo muito querido, o Pedro, que curiosamente nasceu no mesmo dia que eu... Para ti Pedro, um beijinho muito terno e amigo
Ana estava a escutar uma música muito calma... um mantra "Om Mani Padme Hum e sentiu a sua mente fluir para uma luzinha muito pequenina e brilhante... sentiu-se entrar... deslizar para dentro dela... e subir... subir... subir... até chegar ao céu. No céu... olhou à sua volta e gostou do que viu. Sentiu muita tranquilidade, muita paz interior... e era tudo tão bonito... tão verde... e florido.
Tentou ver os anjos a esvoaçar... mas não os vendo, perguntou mentalmente: - Onde estão os anjos?
E uma voz lhe respondeu: - Os anjos não estão aqui... estão dentro do coração bonito das pessoas que acreditam neles.
Ana seguiu a voz profunda que lhe pareceu tão familiar... e reconhecendo o rosto gritou feito criança... - Sr. Sttau....- e quase correu e o abraçou, mas os pés de criança não se moveram. O senhor pediu... - Vem..., não tenhas medo!!!
- O senhor também me conhece? - perguntou Ana. O cabelo da menina era curto, parecia um rapazinho... de olhos grandes e curiosos... O seu vestidinho era branco, muito curtinho e salpicado de flores. Na mão trazia uma flor. Sempre andava com uma flor na mão... ou... a correr atras das borboletas... ou então... ficava assim muito quietinha a observar os desenhos coloridos das asas... seguindo-as com o olhar e absorvendo ao máximo a sua cor, a sua beleza. Às vezes reparava na lingua tãoooooo.. comprida que elas ora enrolavam... ora desenrolavam quando estavam muito quietinhas a sugar o néctar das flores.. que a menina imaginava ser muito doce.
- Sim... conheço-te... Tu és a menina que salvava os animais. Estavas quase sempre junto a um lago... um rio... um pequeno regato... sentindo o chamamento e salvando os seres minusculos a quem ninguém mais dava atenção. De alguma forma tu escutavas o seu grito... e os socorrias com um pauzinho... ou com a tua mão.
- Sim... nem que eu soubesse que iriam sobreviver por apenas alguns minutos. Um minuto que fosse era vida e merecia ser vivida. Mas.. como sabe tudo isso?
- Porque agora eu também sou um anjo e sei tudo sobre ti.
A menina aproximou-se do sr. Sttau que a recebia com um sorriso aberto e um olhar sábio... um olhar com muitas janelas bonitas no qual se pressente um mundo com muitas histórias para contar e ao mesmo tempo tão transparente... tão puro.
O senhor estava sentado num banco de jardim e segurava uns rascunhos que tinha estado a escrever. A menina tentou ler... mas a letra era ilegível... parecia letra de médico.
- Senta aqui na minha perna pequenita. - pediu batendo com a mão no seu próprio joelho. A menina tinha uns quatro.. cinco anitos... e precisou da ajuda do senhor para se sentar. Este deu-lhe um beijinho no rosto, aconchegou-a no seu colo e ela sorriu.
- Porque vim eu aqui? - perguntou a menina.
- Porque tu és especial... muito especial...
- Sou? - questionou enquanto tentava colocar a flor branca de olhinho amarelo na orelhita do sr. Sttau.
- Sim... tu ainda consegues escutar a voz dos anjos. E eu preciso que me ajudes a levar uma mensagem.
A menina parou de brincar com a flor que acabara de cair e ficar na sua mão. Olhou nos olhos do senhor. O seu rosto estava á espera do pedido que lhe iria ser feito por aquele anjo que parecia conhece-la tão bem.... desde sempre. A menina suspirou... sentia-se tão bem... tão tranquila... tão protejida... naquele colinho.
- Quero que digas ao Pedro... o quanto o amo... quero que lhe digas que estou bem... e que deve seguir o seu coração. Diz-lhe que a família é o nosso bem mais precioso... e que apesar de parecer afastada com a minha partida física... não o foi totalmente... porque eu estou sempre presente... em todos os momentos. Estou com todos... com todos... mas sobretudo com ele. Ele é agora o pilar e tem que ter muita força. Eu estou sempre... sempre com ele... sempre... - disse num tom tão carinhoso que fez soltar do coração da menina um calorzinho especial. No seu estomago sentiu o que parecia um bando de borboletas a fazer cócegas... por dentro. A menina abraçou-o e disse:
- Sim... farei isso. Sabe sr. Sttau... eu sei... que ele... também o ama muito... muito... muito... muito... muito... muito... muito... muito...muito...muito...
- Sim.. minha querida... eu também sei.
O senhor passou a mão no cabelo sedoso da menina que insistia em brincar com a flor na sua orelhita... e beijou os seus lindos e expressivos olhinhos... e depois passou os dedos na covinha que esta fazia no rosto quando sorria.
- E tu como estás pequenina? - perguntou o senhor.
- Eu estou bem... sinto-me bem a conversar consigo... gostava de ficar aqui mais tempo... se calhar para sempre. Posso? - pediu... com muito carinho.
O olhar do sr. Sttau humedeceu e não resistiu dar um abraço forte e paternal á menina.
- Tu não podes ficar aqui minha flor... - responde carinhoso.
- Não?
- Não minha querida... tens que ir levar a mensagem ao meu querido neto.
- Eu levo a mensagem... sim eu levo... Mas depois posso voltar e ficar aqui consigo? - insistiu a menina. - Isto é tão bonito... tão calmo... tem tanta beleza... sinto-me tão bem aqui juntinho a si... Eu prometo que fico quietinha... só quero observar as flores... as borboletas... vê-lo escrever... sentir o seu carinho de avô...
O senhor não consegiu evitar e uma lágrima quase rolou no seu rosto
- Mas tu não podes minha querida... tens que dar vida ao teu corpo que neste momento está lá em baixo em meditação... tens que regressar meu anjinho... e fazer o que eu te pedi. Mas olha, fazemos assim... podes vir visitar-me sempre que o desejares... vais dar-me muita alegria.
- Vou voltar sim...- sorriu a menina... e depois algo preocupada perguntou:
- Sr. Sttau.
- Sim...
- E se o Pedrinho...
- Não te preocupes minha flor... ele vai sentir com o coração.
- Sr. Sttau.
- Sim... minha flor.
- Não é nada... é só para dizer que gosto muito de si. - E dizendo isto desceu da perna do carinhoso senhor, puxou a minuscula meia branca.. que insistia em cair e que sobressaia no sapatinho e nas suas pernas rechonchudas de boneca... deu um abraço e um beijinho meigo no rosto do senhor que sorria como o brilho de uma estrela... E finalmente conseguira colocar a flor na orelhita dele... e murmurou:
- Com o coração... não é?
- Sim... minha flor.. com o coração.
Acenou um adeus meiguinho e regressou ao seu corpo de mulher... que a aguardava na Terra adormecido.
Sentindo com o coração... escrevendo com a Alma e assinando com a Luz mais pura,
Autor: Anabela - Borboleta Azul
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